quinta-feira, 13 de maio de 2010

NEGRO


Mama África não morreu.


Mama África não morreu.
Apenas se escondeu, pereceu, se fortaleceu.
Mama África sou eu!

Dos porões do navio negreiro
Ecoou um soluço de dor.
Eram meus filhos queridos
Acorrentados e feridos
Pelos grilhões da cor.

Quando pensaram vencidos,
A força crescia:
Driblavam a morte,
Forçavam a sorte.
A esperança se fazia.

É verdade,
Mama África ainda chora
Pelos filhos que outrora
Lhe arrancaram dos braços.

Mama África repudia
O punho da tirania.
E acredita que haverá o dia
Em que negro será gente
Tratado decentemente.

É por isso que insisto:
Mama África não morreu!
Apenas se escondeu, pereceu, se fortaleceu.
Mama África sou eu!

Quantos sonhos desfeitos!
Quanta dor! Quanto pranto!
Fui roubada, amordaçada, violentada,
Mas não silenciada.

Não!
Não conseguiram calar minha voz.
Falei nos filhos da minha entranha:
Na coragem de Zumbi,
No sonho de Luther King
Na audácia de Rosa Parks
Na sabedoria de Milton Santos
Na Beleza de Chica
Falei no trabalho duro de Quinca,
De Nana e Barnabé.
Na luta de Maria, Antônio e José.

Hoje,
Ainda sob chibatas do racismo e do preconceito,
Irrompe em meu peito
Vontade forte de gritar
E fazer ecoar
Aos quatro cantos dessa terra
Que a liberdade está para chegar.
E ela há de ficar!
Há de se espalhar,
De nos ajudar a cantar e encantar.

Ao toque dos tambores,
Sem ordem de senhores,
Há de nos consolar a dor,
Reavivar a cor,
Devolver o amor.

E se quer saber mais
Mama África não morrerá jamais!
Ela pulsa em mim
Ela corre em você.

de Maria Eliane Pereira
Manhumirim - MG - por correio eletrônico

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