domingo, 5 de junho de 2011

A disputa política que arruinou Diamantino


A iminência de uma decisão do Pleno do TRE (Tribunal Regional Eleitoral) de Mato Grosso, sobre a disputa eleitoral em Diamantino não vai devolver ao Município o prejuízo causado pela alternância de poder, ora nas mãos de Erival Capistrano e ora nas mãos de Juviano Lincoln, mas traz de volta a normalidade perdida, que vem desde o resultado das eleições de 2.008.
O prefeito afastado Erival Capistrano se apóia no resultado do pleito, invoca que a vontade do povo não foi respeitada e critica a maneira arbitrária que foi posto fora do cargo. Seu processo se arrasta lentamente na Corte Eleitoral e ele se defende afirmando que não poderia ter deixado a função, antes do processo transitado e julgado.
A disputa em curso jamais será esquecida, não apenas porque foi decidida pela caneta de um juiz, no tribunal e quem ganhou não levou, mas sobretudo, porque arruinou Diamantino, piorou o que já estava ruim e acrescentou atraso histórico de décadas ao Município, cujos tentáculos têm um pé no presente e uma grande ponta no passado. Na última década, por exemplo, o crescimento populacional de Diamantino foi tão inexpressivo que chegou próximo a 700 habitantes, segundo a contagem do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Atualmente, a desculpa é a troca de prefeito; agravado por causa da incapacidade da gestão em andamento.
A briga judicial começou antes mesmo da posse do prefeito Erival Capistrano. Mais tarde, foi tirado dele o cargo e negado a jurisprudência de se permanecer na função até o transitado e julgado do processo, na última instância da Justiça.
A disputa pela cadeira de espaldar do Palácio Parecis vai além do desdobramento do ‘Caso Arduíno’, no qual comprovou as irregularidades na prestação de contas de campanha do Cartorário, nas eleições de 2.008 e imbica na antiga rivalidade política entre oligarquias da cidade que revezam no mando da política local por anos a fio.
Na altura do tempo, já passado a metade do atual mandato, que termina no ano que vem, o interesse do Cartorário em voltar ao cargo é mais uma questão de dignidade pessoal para recuperar a honra e lavar a alma, do que cumprir algum programa político ou implantar a moralidade na gestão pública municipal, pois o mandato presente já se foi. Fora disso é dar murro em ponta de faca. Erival Capistrano já entrou com um processo eleitoral andando e ficou sozinho, sem apoio político dentro e fora de Diamantino. Além de tudo, arrumou desavença com gente graúda, como o então governador Blairo Maggi e ainda feriu o brio do ministro Gilmar Mendes, seu inimigo, na Carta Capital. Na Prefeitura passou incógnito, sem deixar marca de reconhecimento. Na conjuntura desenhada, dificilmente retoma o cargo. Logo, a saída mais honrosa para o Cartorário é desistir da reconquista da Prefeitura para não perder prestígio e nem ser cúmplice do sepultamento econômico do Município.
No embate, a Prefeitura foi de graça para Juviano Lincoln, o segundo colocado nas eleições municipais; mas com um agravante. Suas contas de campanha foram reprovadas pela Justiça da 7ª Zona Eleitoral, numa sentença dada pela juíza Helícia Vitti. Em condição semelhante, o prefeito de Alto Paraguai, Adair José Alves Moreira foi afastado duas vezes do cargo, o que dá a entender que Juviano Lincoln tem uma blindagem que o protege e o mantém indefinidamen-te, no cargo.
Mas no cargo, o prefeito não está sendo eficiente como o é na articulação para não perder a função executiva do Município. A inércia de sua gestão desarticulou o crescimento municipal e não executou ação tão simples, como a manutenção da cidade, o funcionamento da saúde e educação; num evidente sinal de despreparo para ocupar o cargo, ficando bem longe da expectativa da população, que esperava mais competência do gestor municipal.
Nesse ritmo, a administração atual não vai demorar muito para se igualar ao do prefeito Batistinha, considerada a pior, da história de Diamantino.
Por coincidência, Juviano Lincoln foi secretário daquela desastrada administração. Portanto, não é difícil saber a origem dessa crise que engoliu Diamantino. Alheio, Juviano Lincoln não demonstra ter culpa ou constrangido pelo mal que está causando ao Município.
Bem ao lado, vindo do Palácio Urbano Rodrigues Fontes, ecoam as críticas contra o prefeito, feitas pelos vereadores. Inclusive de alguns os aliados do alcaide.
O vereador Edevaldo Alves Teixeira, o Jabuti, a principal voz de oposição na Câmara, acusa o prefeito municipal de malversação de dinheiro público e favorecimento à correligionários políticos. As denúncias foram encaminhadas ao Ministério Público pelo próprio vereador.
O parlamentar diz que está formando novas provas, para então oferecer desta vez, denúncias ao Tribunal de Contas do Estado e ao Ministério Público, na Capital. São denúncias gravíssimas que podem comprometer o prefeito Juviano Lincoln, afirmou o vereador Jabuti.
As provas finais certamente irão revelar também o lado obscuro do prefeito.


matéria veiculada no JORNAL AGORA

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