domingo, 19 de fevereiro de 2012

DA ESPECIALIZAÇÃO À VOCAÇÃO

Roberto Crema

 
O que é ser humano? Onde aprendemos a ser humanos?


Roberto Crema

Talvez a maior tragédia da ultrapassada modernidade aponta para a questão educacional e assim pode ser resumida: logramos o desenvolvimento sofisticado da ciência e tecnologia sem uma correspondente evolução psíquica, ética, noética e espiritual. A aculturação e educação clássica têm se resumido a um processo de adestramento racional e aquisição de um repertório comportamental adaptativo a um contexto mórbido em grande escala. Nas escolas, o aluno é obrigado a “engolir” informações que se tornam obsoletas em quatro anos e a “vomitá-las” nos exames. Aplica-se o perverso método da comparação, em que uma performance padrão é exigida, com a repressão sistemática da diversidade e originalidade. O tratamento é maciço e a transmissão autocrática, num clima tristemente paranóico, em que um suposto-saber julga um suspeito-saber. Neste alienante sistema, é solenemente desprezado o mais propriamente humano: o plano do coração, das emoções e sentimentos, da intuição, valores e a dimensão noética e transpessoal.
Assim é que o ocidental típico tornou-se perito na exploração do espaço exterior,vasculhando os confins do sistema solar, enquanto permanece virgem e inexplorada a dimensão do espaço interior, a sua própria alma. Eis o absurdo óbvio: depois de décadas de bancos escolares e universitários, o erudito doutor segue sendo um analfabeto emocional, um bárbaro da vida anímica, desconhecedor de si, enfim, um ignorante existencial.
Há uma estória sufi que ilustra bem essa contradição fatídica, que ameaça o futuro das novas gerações. Mulla Nasrudin, um mestre que notabilizou-se por utilizar o humor como instrumento pedagógico, era um barqueiro que levava as pessoas de uma margem do rio para a outra. Esta pode ser considerada a tarefa básica de toda maestria autêntica: facilitar que a pessoa faça a travessia da margem da ignorância para a do esclarecimento e auto-conhecimento. Certa ocasião, um erudito professor recorreu aos préstimos de Nasrudin. Quando iniciaram o percurso o importante professor indagou ao humilde barqueiro: “Você estudou física e matemática?” “Não”, respondeu Nasrudin. “Sinto muito”, concluiu enfático o professor – “você perdeu a metade da sua existência!” Um pouco depois, o barco colidiu com uma rocha e começou a naufragar. Então o barqueiro perguntou ao assustado professor: “Você aprendeu a nadar?” “Não”, respondeu o professor, alarmado. “Sinto muito, você perdeu toda a sua existência!”, sentenciou o mestre.
Partindo da constatação de que a educação reducionista-tecnicista tradicional não tomou para si a nobre função de facilitar que o aprendiz aprenda a nadar nos rios da existência, não é para se estranhar o flagelo crítico contemporâneo: a inversão valorativa e falência da ética, o “mar de lama”da corrupção, cinismo e omissão, a onda crescente de violência e injustiça social, o aumento dramático do índice de suicídio infanto-juvenil, a depredação ambiental e o quase fenecimento da cultura ocidental.
É preciso ousar desenvolver, com urgência, uma ecologia do Ser, em que o humano possa ser desvelado e cultivado em toda a sua extensão, altitude e profundidade. Para tal, torna-se imprescindível que esclareçamos os nossos pressupostos antropológicos. É a partir da imagem do ser humano que adotamos, consciente ou inconscientemente, que será modelada a nossa atitude frente ao mesmo, no contexto da família, da escola e da sociedade. Segundo Jean-Yves Leloup, mentor do Colégio Internacional dos Terapeutas, há quatro pressupostos antropológicos que já eram postulados há mais de dois milênios e continuam sendo sustentados, na contemporaneidade:

 
Visite: Roberto Crema – Site Oficial


Sugestão: O Novo Paradigma Holístico: ciência, filosofia, arte e mística

fonte - O araibu






************************************

Nenhum comentário:

Postar um comentário

MANDE O SEU COMENTÁRIO!

O BLOG DO PROFESSOR ODEMAR MENDES não se responsabiliza pelos comentários aqui postados. Se você se sentir ofendido pelo conteúdo de algum comentário dirigido a sua pessoa, entre em contato conosco pelo e-mail odemarmendes@hotmail.com