segunda-feira, 19 de março de 2012

POR QUE NOSSAS RÁDIOS PIORARAM TANTO?

Nossos ouvidos não deveriam ter essa função



Se você nunca sequer imaginou uma determinada coisa, ela, portanto, nunca existiu ou existirá no teu mundo, nos teus desejos, nas tuas comparações, no conjunto dos teus sentimentos, em meio às tuas emoções. Assim, dá-se com as músicas que você nunca escutou, isso porque não há incentivo ao teu redor, especialmente porque o rádio brasileiro, de forma geral, vem sendo “sucateado” desde o início da década de 1990. Nessa, a boa música foi relegada ao escuro em nome de coisas como a música sertaneja (breganeja) e o forró modernoso.
E com a chegada da internet, a maioria de nós deu de considerar o rádio um morto insepulto, ou seja, ele está entre nós, mas não cumpre mais certas funções, dentre elas a de fornecer uma boa formação de gosto musical aos ouvintes. Por boa formação entenda-se a atenção à diversidade, à memória, inclusive ao conhecimento de outros aspectos da música (história, o que representa, o que nos pode gerar).
O roqueiro Lobão, a despeito de seus exageros e provocações nem sempre frutíferas, acerta em cheio na análise que diz ser o rádio essencial na formação do que se escuta, havendo dos próprios músicos, se conscientes, fazerem coro em torno da exigência de uma redemocratização do rádio brasileiro. Concordo com Lobão e também penso que o rádio ainda é essencial, mas é preciso que músicos e ouvintes reflitam sobre esse assunto e tomem posição mais interessante.
A título de provocação ― minha, no caso ―, elenco alguns nomes da nossa música brasileira e deixo aos leitores uma pergunta: por que eles não aparecem mais nas nossas rádios?
Alceu Valença, Fagner, Belchior, Ednardo, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Maria Bethânia, Gal Costa. Chico Buarque, Paulinho da Viola, Ney Matogrosso, Zizi Possi, Tom Jobim, Simone, Chico César, MPB 4, João Bosco, Lenine, Bia Mestrinér, Joana, Toquinho, Elomar Figueira, Vital Farias, Xangai, Nelson Gonçalves,Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro, Jards Macalé, Bezerra da Silva, Elba Ramalho, Marinês e Sua Gente, Trio Nordestino, Guilherme Arantes, 14 Bis, Milton Nascimento, Almir Sater, Adriana Calcanhotto, Angela Ro Ro, Lô Borges, Flávio Venturini, Tetê Espíndola, Os Três do Nordeste, Pinduca, Luizinho Calixto,Dominguinhos, Renato Borghetti, Marisa Monte, Clementina de Jesus, Beth Carvalho, Gonzaguinha, Emílio Santiago, Aldir Blanc, Leila Pinheiro, Roberto Menescal, Zeca Baleiro, Moraes Moreira, Ataulfo Alves, César Camargo Mariano, Baden Powell, Vinícius de Moraes, Cauby Peixoto, Ná Ozzetti, Arrigo Barnabé, Marcelo D2, Cazuza, Nara Leão, Zé Ramalho.
A presente lista é breve brevíssima e aleatória, apenas para dar um pouco mais de clareza ao que digo anteriormente. Nela não constam muitos nomes conhecidos, bandas de rock, nomes de valiosos artistas estrangeiros e outros. A infinidade de possibilidades é por demais atraentes, ainda mais diante do atual quadro que se vê nas rádios brasileiras.
Há quem diga que se tais artistas estão na internet, então já é o bastante. Se isso é verdade, então por que gente como Luan Santana e Restart faz questão de estar no rádio?
Cresci ao som de muita gente boa que hoje resta como poeira ou simplesmente aos cuidados de grupos, confrarias de amigos, virtuais fraternidades ligadas pelo sentimento e pela valorização da arte e da beleza. Só as pessoas da minha geração para trás, com raras exceções, sabem do horror de vermos, hoje, a burrice e a besteira reinando sobre aquilo que têm essência. Sabemos que acima de tudo é uma questão política, de visão de mundo, de investimento e não de mera boa vontade. O que pretendo com essas palavras é, antes de atingir alguns jovens, acordar alguns coroas como eu, alguns que não façam dos próprios ouvidos o objeto visto no início do texto.



FONTE- O ARAIBU

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