terça-feira, 3 de abril de 2012

NÓS, NOSSAS NECESSIDADES E NOSSA CARÊNCIA DE ORGANIZAÇÕES DE VERDADE



Como é possível o cidadão mudar algo em relação ao Congresso Nacional, se ele não faz idéia de como posicionar-se diante do legislativo municipal? Observemos o nosso (péssimo) nível de influência em relação à nossa Câmara Municipal e vejamos se o que afirmo não é verdade.
Quando muito, o que conseguimos é evitar a reeleição dos indivíduos, como ocorreu do mandato passado pra esse, onde boa parte não retornou mesmo.
O fato é que mais e mais os poderes acontecem à revelia dos indivíduos, confirmando um fosso entre nós e boa parte dos nossos representantes, que, na verdade, representam seus próprios interesses e interesses de grupos, famílias, empresas, amizades e afins.
Depois da globalização e do “enlouquecimento” cultural que adentramos, nos perdemos em relação a uma centralidade de ação junto aos poderes. Reclamamos, conclamamos os outros a participar, mas não conseguimos mover muita coisa. Por quê? Porque para realizar algo é preciso esquecer o espontaneísmo e investir em organização real (e não apenas em lero-lero no facebook). Organizações reais são: partidos; sindicatos; organizações estudantis; associações as mais diversas. E tudo independente!
E onde está o ponto central disso tudo? Na identificação de uma plataforma mínima de pensamento e de ação. Identidade! Hoje, a pluralidade (o caos) de tantas opções-pressões-relações desintegra as (supostas) unidades que ensejamos criar para agir junto dos poderes. A saída fácil e inconsequente da maioria de nós é exigir o que não pode realizar, pois isso nos livra de assumirmos uma responsabilidade real. Exemplo: o do início: o indivíduo quer interferir no Congresso Nacional, quando sequer pode em relação ao legislativo municipal.
Exatamente num tempo repleto de informações ocorre esse tipo de impasse e uma politização tipo “se gostou, compartilhe aí”.
Não duvido do poder das novas tecnologias quanto a mobilizar pessoas, mas acredito que essa mobilização só se concretiza em organizações reais, olho no olho. E não adianta querer abarcar inúmeros temas, pois o adequado é delimitar o raio de ação. É o pensar globalmente e agir localmente.
Como a população de Diamantino poderia constituir organizações claras, conscientes e responsáveis em relação à administração municipal? Isso não só agora, mas de modo perene. Como nossos sindicatos poderiam ser melhores? Em que nível se dá a organização estudantil diamantinense hoje? Quantas associações comunitárias e de bairros existem no município? Como se estruturam? São independentes?
Como libertar essas organizações das mãos dos grupos políticos que lhes sufocam? E os conselhos municipais, em que nível se encontram?
Nosso erro é desejar transformações que só podem ser feitas por organizações bem fundamentadas e não simplesmente por nossa vontade. Nosso erro é acreditar que basta indignação (raiva) e uns desaforos marrentos contra seja o que for.

Texto adaptado – O ARAIBU

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