domingo, 15 de abril de 2012

PARA ALÉM DOS TABUS DA POLÍTICA



Em Diamantino, temos 09 vereadores, mas a partir do próximo pleito serão 11 porque os atuais consideraram tal aumento e a sociedade local não se apercebeu da “manobra” (pra que as aspas, hein?). No Mato Grosso, a Assembleia Legislativa conta com 24 deputados estaduais, excetuando-se, claro, os 8 suplentes.
Mas o bom vem agora: a nossa Câmara dos Deputados, lá em Brasília, tem simplesmente 513 indivíduos distribuídos da seguinte maneira:



Acre: 8

Alagoas: 9

Amazonas: 9

Amapá: 8

Bahia: 39

Ceará: 22

Distrito Federal: 8

Espírito Santo: 10

Goiás: 17

Maranhão: 18

Minas Gerais: 53

Mato Grosso do Sul: 8

Mato Grosso: 8

Pará: 17

Paraíba: 12

Pernambuco: 25

Piauí: 10

Paraná: 30

Rio de Janeiro: 46

Rio Grande do Norte: 8

Rondônia: 8

Roraima: 8

Rio Grande do Sul: 31

Santa Catarina: 16

Sergipe: 8

São Paulo: 70

Tocantins: 8



Fonte: Câmara dos Deputados



Já o Senado Federal (uma segunda câmara) tem simplesmente 81 membros, distribuídos da maneira que você encontra aqui.
Aí, você lendo isso, se aborrece e diz: “Cambada de ladrões! País filho da p_ _ _! É culpa da Dilma, do PT, desses....” Não é assim que você reage?

Agora, perceba isso: nas câmaras municipais, nas assembleias legislativas e no Congresso Nacional há representantes de todos os partidos, inclusive dos quais você tem proximidade no município em que mora. Ou você, sendo adulto, vai dizer que nunca votou em ninguém? É graça! Todos os partidos são culpados desse exagero de gente ocupando cargos e consumindo dinheiro público, sem oferecer à população o devido retorno. Todos! E nós somos os responsáveis por colocá-los lá, afinal nenhum deles chega até lá sem nossos votos. Percebe você como faz parte da questão?
Quando um indivíduo do povo precisa trabalhar no serviço público, sendo a situação dentro da seriedade, submete-se a concurso. Muitos gastam anos e muito dinheiro se preparando para conquistar uma vaga. Nossos representantes no legislativo nacional (em qualquer esfera) não enfrentam o mesmo problema! Por que, se a função é mais delicada, mais séria, mais determinante e mais custosa aos cofres públicos?
Somos hoje um país gerador de empregos e de muitas oportunidades, sim! Desde a chegada do Lula à presidência em 2003, o Brasil gera empregos de modo recorde, amplia sua força, ganha respeito lá fora, aumenta sua auto-estima, transforma-se noutro país. Depois de 500 anos somos não mais o pais do futuro, mas uma democracia aberta ao debate, com inúmeras falhas, mas com a grandeza de estar acesa às possibilidades. Junto disso, falta-nos ainda de modo menos partidário combater a corrupção, mas não apenas a que flagra indivíduos de esquerda.
O Dia do Basta não funciona melhor porque setoriza demais a corrupção nos indivíduos de esquerda. Assim, não conta com o apoio dessas mesmas. Udenista de raiz, chega a parecer em certos lugares coisa de beatas. Perdemos com isso a oportunidade de promover mudanças interessantes. E essas mudanças dizem respeito à estrutura dos poderes e não simplesmente às ações dos governos do PT e aliados, como querem muitos indivíduos, especialmente os anti-esquerdistas de sempre, esse pessoal afinado com a direita que já nos brindou (brindou é?) com uma ditadura sanguinária que durou 21 anos.
Como as tais marchas contra a corrupção deram de acontecer contra o PT e aliados, para esses partidos o tema tornou-se tabu, outro erro. E o corporativismo é um problema geral (relembrem a falta de ação dos evangélicos do Brasil por ocasião da descoberta das artimanhas do apóstolo Valdemiro Santiago, ou seja, silêncio geral!).
Da mesma forma, observem como se move a grande mídia em relação aos escândalos que envolvem membros dos partidos que ela defende: nem vê! Isso é partidarismo. Vejam que em Russas, por exemplo, podemos criticar os políticos, mas há um que foi canonizado por uma parte do eleitorado, apesar de haver sobre ele coisas que todo eleitorado consciente há de reparar e, no mínimo, questionar. Assim, não há abertura para uma percepção maior.
Agora, por oportunismo mais que por convicção, muitas pessoas dizem “Eu não quero Copa do Mundo nem Olimpíadas! Eu quero é hospital!” Mentira. Você quer é se opor a um lado e esse lado é formado pelo PT e aliados. Cadê você diante do caso Demóstenes-Veja-Cachoeira? Ou você acha que não é grave isso tudo?



É pra dar um basta na corrupção ou pra dar um basta num grupo político?

A partir do momento em que o muro do medo desabar e houver clareza e sentimento nacional mais que partidário, teremos uma ação mais conseqüente em relação a essas questões todas. Aí, sim, iremos adiante e além de muitos empregos teremos também as reformas que tanto necessitamos nos poderes. Também teremos melhor controle social, leis reformuladas, códigos atualizados e postura cidadã mais ativa e mais eficaz.
Para você que não é filiado a um partido e por isso acha que não age partidariamente, sugiro que reflita sobre isso, pois a cada palavra e a cada silêncio fica evidente que lado você defende e a natureza do teu olhar. E você, assim como eu, não escapa disso: do que julga. O resultado de uma mente estreita, minha ou tua, não é senão uma situação estreita. E um estreitismo não conserta outro.
Para encerrar, relembro aqui uma reportagem que vi hoje sobre cidadãos da capital paulista que roubam ou destroem as lixeiras de plástico colocadas nas ruas. Fazem isso por que? Por culpa dos políticos? Não. Fazem isso porque participam da mesma cultura que eu e você participamos
Os nossos políticos (os maus mesmo) são extensões exageradas (gritantes) de nós mesmos. Eles nos representam! Lembremos disso!

FONTE - O ARAIBU

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