domingo, 14 de outubro de 2012

CONSELHOS POPULARES, ORÇAMENTO PARTICIPATIVO, DEMOCRACIA DIRETA - Pense nisso!



Sabemos que prefeito e vereadores são eleitos para, em lugar do povo, administrar o município. Vendo dessa forma, é como se nós contratássemos alguém especializado para um determinado tipo de serviço. Gostando dessa lógica fácil, seguimos sem atentar para o que se oculta sob esse pensamento. Senão vejamos!
Quando esse alguém que contratamos comete irregularidades, nós, os “contratantes”, temos uma ferramente ágil para substituir o “empregado” ruim por outro melhor? Resposta: não! Então a nossa lógica fácil foi pro espaço. Por quê?
Porque prefeito e vereadores não têm que governar em nosso lugar, mas conosco. O povo não está inerte, morto, durante o período de um mandato. O povo pode participar mais ativamente e exigir do gestor e dos vereadores uma relação direta e não simplesmente do tipo representante e representado, mas, sim e profundamente, de parceria real. No entanto, o povo, sem estar devidamente organizado, conseguirá nada a esse respeito.
Não pense que os partidos, de modo geral, e os políticos, de modo específico, querem você “xeretando” as decisões, as ações, o rumo das políticas e dos recursos públicos. Por tradição de autoritarismo, de falta de espírito público, de toda uma visão viciada que nossos políticos têm da estrutura governamental, é comum que eles façam de seus mandatos, de seus cargos um envoltório de poder, um casulo de onde enxergam a si mesmos acima dos meros mortais (nós) e, assim, ajam no “devido direito” de fazer com o município o que bem entenderem. E para ficarmos quietos, eles promovem o “pão e circo”.
Mas como poderíamos mudar isso? Como poderíamos fazer de uma administração local algo em que o gestor e os vereadores estivessem somados ao povo, como um todo, nas decisões e nas ações que necessárias são? Resposta: mudando a nossa relação com o poder, com os representantes que elegemos. Para tanto, mudando em primeiro a ideia que fazemos do poder, das instituições, da estrutura. Em seguida, mudando a maneira com que reinvindicamos o que queremos. O povo desorganizado ― repito ― é apenas gado manso, presa fácil, massa de manobra.
E como o povo se organizaria? A partir de associações livres do mando dos partidos, do empresariado e de outras forças cujos interesses entram em conflito com os interesses dessas organizações populares. Associações tais às de moradores, de bairros, constituídas como CONSELHOS POPULARES. Nossa força estaria, assim, com nós mesmos e não simplesmente entregue a um representante (prefeito e veradores). E nossos governantes teriam que governar a partir do que essas forças determinassem. Esses conselhos seriam os olhos mais próximos e mais exatos da realidade mesma do município, das pessoas, sendo capaz de identificar onde os recursos deveriam ser utilizados.
Você pensa “ah, isso não funciona”. Funciona, sim! A prova de que isso funciona é essa: nossos políticos nem querem saber disso! Eles têm medo. Medo do povo. Se nós estivermos mais cientes de tudo o que se passa nos poderes, haverá menos possibilidade de falcatruas, de enriquecimento ilícito e de outras pilantragens. Área por área, saberíamos melhor o que realizar. Saúde, educação, emprego, cultura, esporte, turismo, agricultura, meio ambiente, combate à pobreza e às drogas, etc., tudo estaria mais sob nosso controle direto.
Nosso próximo prefeito e nossos próximos vereadores, se quiserem, podem optar pela prática do ORÇAMENTO PARTICIPATIVO, onde começaríamos uma experiência de CONSELHOS POPULARES. Se nós lhes exigíssemos isso e o fizéssemos de tal forma a não deixá-los saída senão atender-nos, conseguiríamos uma experiência de democracia mais direta, com mais CONTROLE SOCIAL, justiça e satisfação das reais necessidades das pessoas do município, nós mesmos.
Nossos educadores, como instruídos portadores de uma novidade política, bem poderiam puxar essa discussão dentro das escolas! Nossos estudantes poderiam ajudar. Nossos representantes de bairro, sindicais e outros ― SEM A INTERFERÊNCIA DE CACIQUES POLÍTICOS ― poderiam, por sua vez, ampliar essa discussão. E quando digo que seria sem a interferência de partidos e políticos, refiro-me à interferência de mando, de poder sobre e não à ausência completa de participação, afinal nossos políticos precisariam colocar suas idéias também para que analisássemos.
Estou falando de DEMOCRACIA DIRETA o tanto quanto possível. Não falo de algo incorruptível, infalível, mas de uma tentativa que, com o tempo, amadureceria. Para tanto, para tentarmos, repito, seria necessário mudarmos nosso comportamento, nossa visão de política, o que consideramos que seja a estrutura de poder que tem base em nós mesmos.
CONSELHOS POPULARES, ORÇAMENTO PARTICIPATIVO, DEMOCRACIA DIRETA. Pense nisso! Já que muito da vida política faliu (lembre-se da campanha eleitoral vazia), resta-nos pôr no chão as experiências, as utopias e a ousadia. E esse “pôr no chão” não é derrubar ao chão, mas pôr nossos corações e mentes onde possamos tornar realidade seus anseios mais saudáveis para a realização de uma sociedade de sócios efetivos e não de ótimos otários produtores de um poder rico, que uns poucos sabidos utilizam para realizar seus sonhos deploráveis ― pisando sobre o nosso sangue!

Pense nisso!


TEXTO - O ARAIBU

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