domingo, 14 de outubro de 2012

NO FUNDO, A VIDA NÃO É COMPRÁVEL.


Coitada da pessoa que acha que, por não estar filiada a um "partido", não está defendendo a plataforma de algum! A verdade é que, mesmo resistindo, cada um de nós ocupa um lado, uma trincheira. E se não tivermos melhor clareza disso, poderemos ser a massa de manobra na trincheira dos outros, achando que somos independentes, totalmente livres de responsabilidade quanto a ideologias, lutas, desejos, poder e afins.
Cronologicamente, fui jovem de um tempo em que não havia hesitação entre Che Guevara e Adolf Hitler: sabíamos nós, jovens daquele tempo, o que escolher. Com todas as incertezas, com todas as inseguranças e medos e cismas e palavras em contrário, forjávamos em nós a esperança de contribuir um pouquinho que fosse com a melhoria do mundo.
Hoje, para muitos jovens, a melhoria do mundo é simplemente a melhoria de suas vidas pessoais; é ter coisas, é ter tudo o que puderem ostentar, desde roupas a comportamentos, vaidades que são bem alimentadas pelo sistema mais ágil e mais camaleônico na hora de gerar consumidores ávidos de tudo: o capitalismo.
Parte dos jovens de hoje se perde nas drogas, outra parte sublima sua juventude nalguma bodeguinha religiosa, outra parte é boi de micareta. A que resta, com maior ou menor esforço, mantém acesa alguma luta, alguma utopia, alguma arte, alguma liberdade, alguma ousadia. E nunca tivemos um mundo tão recheado de possibilidades, especialmente para os jovens. Mas que fazer, se por educação de qualidade a nossa sociedade entende que é preciso fazer da juventude uma força consumidora mais voraz? E assim vamos nós.
Mas, lembrando da questão inicial: não nos isentamos de ter um lado, por alienados que sejamos. Se não assumimos uma trincheira, uma causa, de modo mais aberto, isso não significa que não tenhamos uma. Significa que de modo obscuro nos habitam trincheiras secretas, comportamentos e cosmovisões pelos quais nos guiamos, colhendo os frutos de cada escolha. Então, melhor que tomemos as rédeas dessa história, que é a nossa, e façamos um caminho mais interessante. Coloquemos, pois, nosso potencial num contexto de melhor politização e sejamos nós mesmos os heróis que imaginamos na pele dos outros.

Quais são as utopias da juventude de hoje? Há?

TEXTO - O ARAIBU

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