terça-feira, 9 de outubro de 2012

O QUE VEM POR AÍ?




Em 2000/2004, o povo de Diamantino elegeu CHICO MENDES. Em 2008, com uma campanha pé no chão o povo quis ERIVAL CAPISTRANO, o mesmo lutou contra oligarquias que administravam a cidade á décadas, venceu as eleições mas não levou. Em 2012, numa campanha palmo a palmo e vazia de um sentido maior que não a luta de oligarcas pelo poder e pela vaidade, o povo traz novamente JUVIANO LINCOLN ao executivo municipal, pelo quadriênio 2013-2016, para administrar, no mínimo, a quantia de quase 200 milhões de reais (cerca de quase 50 milhões por ano) e implementar políticas interessantes em nosso município.
Depois de todos nós passarmos maus bocados com a extrema falta de educação ética na campanha; depois de todos nós enfrentarmos o baixíssimo nível de algumas candidaturas e de parte de seus fanáticos cabos eleitorais obscurecendo qualquer debate inteligente sobre as questões essenciais do município, cá estamos nós, de novo, com Lincoln prefeito eleito.
À essa altura, quem queira aborrecer a um diamantinense consciente, basta dizer a frase “Lei da Ficha Limpa”, que entre nós deve ter se tornado maldita. Não creio que acreditemos mais tão facilmente nela, que é conquista do povo e que, infelizmente, passa pelas não muitas vezes claras e justas interpretações de magistrados e afins.
Enquanto lá fora o buzinaço toma de conta da alegria dos “vencedores” (tal aos bárbaros hunos invadindo a Roma dacadente), aqui em meu recanto de consciência imagino o quanto devemos ainda mais aprofundar as práticas políticas nesta nossa terra, formando um povo que seja mais capaz de ter, em seus devidos lugares, coração e razão, isso para que tenhamos mais lucidez nas escolhas e para que entendamos que o poder público não é um brinde a ser dado a quem mais nos sorri ou mais esbraveja ou, por malandragem, se assemelha a algum deus salvador de uma massa triste e carente, pois esses deuses costumam se alimentar, e muito, de bastante dinheiro ― recursos públicos, leia-se!
Esse prefeito a ser empossado em 1º de janeiro de 2013, o Sr. Juviano Lincoln, tem um difícil trabalho pela frente e nós precisamos estar atentos. Nosso município é hoje mais complexo e comporta problemas que carecem de uma ação moderna, atual e definitiva. Comece por ter profundo respeito pelo funcionalismo e no tocante à transparência quanto aos gastos públicos. Comecemos nós, povo eleitor, pela promoção de uma fiscalização quanto a seus futuros atos, suas políticas, sua postura e, sobretudo, sobre a relação que se desenvolverá entre a Câmara Municipal e a Prefeitura.
A experiência dos últimos 4 anos foi uma das legislaturas mais omissas da Câmara Municipal nos demonstrou que nós, o povo, estamos sós, sem real representatividade, e que, por isso mesmo, precisamos valorizar mais as associações, os sindicatos e todo tipo de organização independente e autônoma que nós mesmos possamos e devamos criar ou melhorar. Não dá pra acreditar em “deuses”, sejam do executivo ou do legislativo.
Eu gostaria de ver as pessoas desta terra empenhadas o tempo todo, do mesmo jeito que se empenham nas campanhas. Refiro-me, claro, à vontade de participar e não a muitas das atitudes que presenciamos nas campanhas, palavras e ações deploráveis. Eu gostaria que fôssemos, sim, o tempo todo, mais políticos, mais conscientes e mais críticos. Mas sei que daqui a pouco, passada a febre do momento, os cabos eleitorais irão cuidar de suas miseráveis vidas, restando para pessoas como eu e outras também interessadas uma palavra, uma crítica, um texto, uma opinião, uma sugestão sobre os fatos vindouros desta futura gestão que, pelo entusiasmo de uns e outros, será o céu. Será mesmo?
Não duvido do empreendedorismo de Lincoln, como já acentuei em anterior postagem, mas temo pela concentração de poder que ele e seus apoiadores, especialmente as pessoas que o rodeiam, gostam de pôr em prática.
Pela lista dos vereadores eleitos, percebo que o povo quase repetiu uma tendência: renovação, ao menos em termos de alguns nomes. Com exceção de uns poucos, todos os outros já estavam nessa última legislatura. Pergunta: agirão diferentemente ou serão apenas correia de transmissão do gestor do executivo? Outra questão: as irregularidades serão denunciadas? Os novos vereadores farão isso? Nós, o povo, faremos?
Não ouso ser o otimista idiota nem o agourento gratuito do que vem por aí, mas pelo baixíssimo nível de politização da maioria das manifestações da campanha eleitoral, não tenho como fazer uma previsão positiva do que vem por aí. Alerto sempre ao povo no sentido de que informação, raciocínio, análise, estudo, sinceridade, olho vivo e engajamento político real são fatores que fazem de um povo uma força mais interessante e efetivamente transformadora.


TEXTO ADPATDO - O ARAIBU.

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