sábado, 27 de outubro de 2012

OS PALESTINOS DO BRASIL.





Por esses dias, depois da divulgação da carta-testamento dos índios Guarani-Kaiowá, do Mato Grosso do Sul, culminando numa petição via Avazz.Org, muitos brasileiros se deram conta de que há uma realidade obstruída a ser rebuscada, reencontrada, a bem dessa nação que, para cumprir honroso e vital papel, não pode deixar que seus primitivos povos sejam tragados como formigas no furacão do atual desenvolvimento do país.
Reparem, visitantes, que hoje nossos partidos de esquerda, outrora porta-vozes dessas questões, já não mais se ocupam da defesa delas, como se os povos indígenas não merecessem a atenção que merecem. Com exceção do Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU) e do Partido Comunista Brasileiro (PCB), nenhum outro sequer tocou no assunto em seus portais na internet! Por quê, se adoram cuidar bem das pessoas?
Hoje mesmo, 26/10/2012, acessando o portal do Conselho Indigenista Missionário (CIMI), dou de cara com a notícia de uma índia Guarani-Kaiowá que fora, neste 24/10, violentada por oito pistoleiros no município de Iguatemi-MS, violência esta que, no decorrer dos anos, sob o olhar muitas vezes omisso das autoridades e da sociedade que se diz cristã e benfazeja, ocorre como se coisa boa e natural fosse: ”Kaiowá e Guarani de Pyelito Kue é violentada por oito pistoleiros em Iguatemi, MS.
Estupros, assassinatos, torturas, despejos, alcoolismo e suicídio são parte do repertório de problemas dessas nações que o governo federal mais a sociedade brasileira, como um todo, deveriam proteger.
Os indígenas são “barreiras naturais” à expansão do agronegócio, dos pecuaristas, das mineradoras e de outras frentes do capitalismo que avançam sobre suas terras. Reagindo, enfrentam a ira de pessoas poderosas, de empresas, de fazendeiros e jagunços armados. Como são também “barreiras naturais” às hidroelétricas que o governo federal já constrói e a outras que intenta construir, não contam com as vozes que antes lhes eram (ou se diziam) parceiras. Isolados até pela grande mídia, que pisa e repisa assuntos como o julgamento do mensalão, não lhes resta mais que a sensibilidade e a ação de pessoas e organizações que dentro e fora do Brasil lhes fazem eco e lhes dão apoio. Você, que lê esse texto, é já uma força que pode falar e agir em defesa desses povos: ”Salvemos os índios Guarani-Kaiowá - URGENTE!”.
A bem de um aprofundamento do assunto, ainda recomendo a leitura de uma interessante entrevista: ”Bastidores da tragédia Kaiowá-Guarani: Multinacionais, partidos, Justiça…”.
No meu entender, traçando um paralelo, nossos indígenas são os palestinos do Brasil, dia a dia expulsos não mais apenas de suas culturas e de suas terras, mas da própria vida. O nome disso é extermínio! E quem nada faz é porque consente.

Fonte - O ARAIBU

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