sexta-feira, 30 de novembro de 2012

COMO QUEREMOS NOSSOS MUNICÍPIOS?


Felicidade interna bruta

Os municípios têm autonomia suficiente para implementar ações revolucionárias em termos de gestão, sem que os governos (federal e estaduais) tenham de obrigá-los ou incentivá-los nisso. Basta querer. O que se vê muitas vezes Brasil afora é município gerido por pessoas e grupos que enxergam no poder público apenas a oportunidade ótima para o exercício imoral de suas vazias vaidades e da apropriação dos hoje melhores recursos, milhões de reais ano a ano, dinheiro que, por sua função, deveria ser bem aplicado na melhoria de vida das pessoas, mas que, infelizmente, muitas vezes não o é, indo parar sabe-se lá onde. Advinha!
Por mais que haja fiscalização dos poderes, o grande passo nesse sentido (o de bem gerir os municípios) só será dado quando os munícipes, em sua maioria, alçarem-se ao patamar de fiscais diretos e bem preparados das ações de prefeitos e vereadores. A velha máxima “o povo unido jamais será vencido” funciona, ao menos em parte. E é no município que isso é comprovável de modo mais objetivo, pois é nele que vivemos nossa vida efetiva.
Mas, para desgosto de quem pensa tais coisas, somos ainda, e muito, um povo-gado que sofre e reclama, mas que, chegado o período eleitoral, se porta como besta arredia ao raciocínio e afeita à balbúrdia, à ilusão. É a cultura geral, assimilada em seus sórdidos detalhes e tomada por muitos como a cultura final e imutável. Disso se aproveitam políticos e homens de negócio inescrupulosos, ávidos de poder e dinheiro. Eles investem no “pão e circo” e, assim, se mantém no poder, perpetuando-se através de filhos, sobrinhos, paus-mandados, bajuladores, amigos, cúmplices e toda a sorte de velhacos.
Em meio ao pessimismo dessas constatações não é menos verdade que, mesmo de maneira desordenada e louca, esse mesmo povo deseja uma vida melhor, municípios melhores, onde os serviços funcionem e a paz seja uma regra e não um luxo. Podemos observar isso através de coisas assim:

“A maioria (85%) dos brasileiros que ainda não conta com coleta seletiva estaria disposta a separar o lixo em suas casas, caso o serviço fosse oferecido nos municípios, aponta pesquisa divulgada ontem (28) pelo Programa Água Brasil. Apenas 13% dos entrevistados declararam que não fariam a separação dos resíduos e 2% não sabem ou não responderam. O estudo, encomendado ao Ibope, entrevistou 2.002 pessoas em todas capitais e mais 73 municípios, em novembro do ano passado.”


Por desenvolvimento, entenda-se o sustentável e não a idéia de padrões de riqueza onde uns se dão bem e a maioria pena. E já podemos ver o que melhor aplicar e o que não aplicar em nossos municípios. Nossas capitais e suas zonas metropolitanas nos oferecem exatamente os modelos de cidade que, em seu todo, não devemos imitar, porque caóticos, mal planejados, inchados, na contramão do meio ambiente e por aí vai.
Um município como Diamantino, tal a seus vizinhos, pelo lugar em que ainda se encontra dentro de uma escala evolutiva, pode ser considerado um laboratório aberto a experiências inovadoras em termos de gestão. E para isso, o gestor e os demais envolvidos precisam perguntar à população o que ela precisa o que deseja, de que carece e como pode participar. Mais: compete ao gestor incentivar essa participação.
Nesse ponto, vem-me à lembrança o conceito de FELICIDADE INTERNA BRUTA que um pequeno país da Ásia, o Butão, tomou como essencial em seus empreendimentos governamentais, isso para que os poderes soubessem satisfazer à população. Analisando a questão, o teólogo, escritor e professor universitário brasileiro Leonardo Boff nos diz:

“Por detrás deste projeto político funciona uma imagem multimensional do ser humano. Supõe o ser humano como um nó de relações orientado em todas as direções, que possui sim fome de pão como todos os seres vivos mas principalmente é movido pela fome de comunicação, de convivência e de paz que não podem ser compradas no mercado ou na bolsa. Função de um governo é atender à vida da população na multiplicidade de suas dimensões. O seu fruto é a paz. Na inigualável compreensão que a Carta da Terra elaborou da paz, esta "é a plenitude que resulta das relações corretas consigo mesmo, com outras pessoas, com outras culturas, com outras vidas, com a Terra e com o Todo maior do qual somos parte"(IV,f).”


Talvez, apesar da complexidade, não seja tão difícil realizar a felicidade de um povo. E nós, que somos esse povo, precisamos perguntar o que realmente queremos e o que realmente precisamos realizar para que as metas sejam atingidas. Os gestores dos nossos municípios, se bons ou ruins, nos representam, ou seja, são uma expressão de nós. Vale pensarmos nisso mais calma e sinceramente.

fonte - O Araibu

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