segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Manifesto



O sonho continua!


“Nosso compromisso continua sendo o de lutar pelo fim da fome e da miséria. Porém, agora nossa luta tem foco no controle social de políticas públicas e na mobilização da sociedade por educação e cultura de qualidade”.

Quando nossos heróis, Betinho e Maurício Andrade, se ausentam para soprar a cidadania em outras realidades, fica em nós, da Ação da Cidadania, o compromisso ainda maior da busca do sonho de um país mais justo e de uma vida mais digna para os brasileiros.
Vamos continuar a fazer de nossas atitudes de entidade da sociedade civil, que se sente co-responsável pelo processo de engrandecimento desse país, um ícone para o entendimento de toda a sociedade de que as mazelas sociais poderiam ser em muito minimizadas, se todos fizessem a sua parte.
Queremos participar do tempo em que os mais excluídos, efetivamente, vão ocupar seu espaço na luta por sua própria dignidade.
O entendimento de que mais importante que o Estado é a sociedade, é o que aumenta nosso potencial de transformação. Vamos continuar lutando por uma democracia plena onde o Estado se submete ao controle da sociedade, da cidadania. É desse modo que a sociedade civil deve contribuir para que as políticas públicas sejam mais eficazes, éticas, igualitárias, e que atendam prioritariamente àqueles que mais necessitam.
Vamos lutar contra a apatia política que consome a sociedade brasileira fomentando a participação da população nas decisões do poder público, respeitando e valorizando as experiências e referências de participação cidadã dos agentes envolvidos e agregando forças da sociedade para otimizar recursos públicos e fazer justiça social.
A legitimidade da Ação da Cidadania se afirma pelo seu grande potencial de mobilização. Por essa fantástica rede de líderes comunitários, descentralizada e autônoma, composta por tanta diversidade, pluralidade e tanta riqueza de experiências. Cidadãos que têm a mesma dificuldade, ou um pouco menos do que aqueles que defendem, dedicam seu tempo e esforço para disseminar a idéia de cidadania como a conquista de um direito de todos.
Essa legitimidade vem também da cumplicidade de vários representantes dos diversos segmentos sociaique fortalecem nossa luta - empresas, poder público, artistas, estudantes, movimentos populares, igrejas, etc. Essa cumplicidade brota da clareza de que todos têm o seu papel na luta social.
A Ação da Cidadania continuará buscando mudar os rumos do país através do incentivo à criação ou ao aprimoramento de políticas públicas comprometidas com o fim da fome e da miséria, a fim de que essas políticas possam resultar em transformações positivas permanentes.
Quando o governo federal assume a criação de uma política pública de ampla cobertura para o combate emergencial da fome - os programas de transferência de renda, uma grande conquista para o país da qual a Ação da Cidadania tem orgulho de ter sido importante protagonista -, podemos também avançar em novas bandeiras de luta.
Nosso compromisso continua sendo o de lutar pelo fim da fome e da miséria. Porém, agora nossa luta tem foco no controle social de políticas públicas e na mobilização da sociedade por educação e cultura de qualidade.
A fome ainda tem pressa. Apesar dos programas de transferência de renda terem cobertura perto da universalidade, junto às famílias na miséria, grande parte dessas famílias ainda está alijada desse direito. Hoje o motivo da exclusão não é a falta de um programa de governo comprometido com a causa, e sim a incapacidade de articulação das três esferas do executivo e a corrupção, que ainda é a grande vergonha nacional e a omissão da sociedade civil.
A Ação da Cidadania não se omite. Continuaremos a exercer o controle social das políticas de transferência de renda em nível municipal, estadual e federal, através do Cidadania em Ação. As lideranças comunitárias da entidade, responsáveis por identificar famílias elegíveis para esses programas em suas comunidades, vêm fortalecendo a pressão política junto ao poder público para a melhoria dos resultados.
Há uma clareza, entre os membros da Ação da Cidadania, de que os benefícios compensatórios ainda são fundamentais, porque podem garantir a sobrevivência, mas é a educação e a cultura que de fato transformam a sociedade. Nossa luta por educação de qualidade terá início com a mobilização da sociedade pelo fim do analfabetismo. É inadmissível que 32 milhões de brasileiros (curiosamente o mesmo número de brasileiros abaixo da linha da miséria quando da criação da Ação da Cidadania) não tenham o direito de ler. A dignidade dessa população, que representa quase 20% do total, não será alcançada enquanto excluída do saber ler para sonhar. As lideranças comunitárias da entidade estarão nos bolsões de pobreza do país incentivando o hábito da leitura com os Espaços de Leitura, mostrando que estamos fazendo a nossa parte.
A luta pela cultura virá da transformação dos conhecimentos e habilidades, artes e expressões populares, em ações pragmáticas de promoção de bem-estar social, geração de renda e reivindicação dos direitos sociais, através do Centro Cultural Ação da Cidadania – Maurício Andrade. Esse presente para o Rio de Janeiro, composto por 14 mil metros quadrados, com espaço de show, exposição, teatro, cinema e gastronomia, será uma das primeiras empresas sociais do país, que, não deixando de ter uma gestão profissional e de gerar superávit, vai de fato investir todos os seus recursos na busca da dignidade e cidadania, iniciando cerca de 3.000 crianças e jovens na arte e cultura e inserindo-os nesse mercado de trabalho.
A Campanha Natal sem Fome, agora Natal sem Fome de Sonhos, enriquece nossa luta pela fantástica participação das empresas privadas, mídia, artistas, movimentos populares, ONGs, estudantes, cidadãos comuns etc. Nessa campanha, lançada ao final de cada ano, desde 1993, vemos na prática como uma ação protagonizada por tantos segmentos sociais pode despertar a solidariedade de cada cidadão, abrilhantando a luta por um Brasil sem fome, sem miséria e que luta pela vida. O meio para se chegar até lá é o do exercício da solidariedade consciente, que mobiliza a população pelo desejo de fazer bem ao próximo, mas que parte do entendimento de que o Estado precisa garantir os direitos básicos do cidadão e de que a sociedade deve exigir que isso aconteça.

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