sábado, 24 de novembro de 2012

SER REACIONÁRIO NÃO É A SAÍDA



Se você quiser reclamar da justiça brasileira, reclame. Mas não confunda os atrasos do Estado brasileiro e das políticas governamentais com a questão dos direitos humanos, pois essa argumentação é coisa de nazista. Não pense que sempre tivemos direitos e democracia como temos hoje, apesar dos pesares. Não imagine que uma sociedade tipo olho-por-olho é a solução, porque essa “premissa” destrói o Estado Democrático de Direito e não garante uma justiça baseada no consenso social, mas, sim, e terrivelmente, o banditismo geral, a barbárie, o fim de qualquer possibilidade de sociedade, algo pior que o que hoje temos.
Tem gente que quer colocar menor de idade em penintenciária, mas não faz a mínima ponderação acerca de que isso seria mestrado e doutorado no crime para tais jovens. Saíndo de lá, e eles saem, nos pegariam de modo muito mais sosfisticado. Para a juventude ofereça regras, boa escola, cultura, esporte, inserção social, vez e voz, estrutura familiar de vergonha, futuro. Lembre-se que ser criminoso, de modo geral, não é algo propriamente natural, mas cultural, social, aprendido. Se hoje temos a desgraça de tantos jovens no crime, é porque há uma complexa cultura que alimenta esse estilo de vida, esses valores. É mundial isso.
Vamos contextualizar as coisas antes de opinar com idéias muito fortes acerca do que devemos fazer em relação a crianças e jovens, pois se lhes respeitamos como gostaríamos que os adultos nos respeitassem quando jovens, entenderemos melhor essa situação. E sobre a falta de limites, esse é um fator geral (os próprios adultos não se impõem limites muitas vezes).
Nosso moralismo e nossa dureza para com a juventude têm menos a ver com educação e com justiça e mais com a nossa incapacidade de criar alternativas para tais indivíduos. Isso é reacionarismo e é preguiça da nossa parte, sem falar no recalque, que é patente.
Não sou pela impunidade nem pela idealização do jovem. Mas vejo que ou colocamos nossas palavras e nosso esforço em vistas de fazer com que cada vez mais haja soluções sustentáveis, ou estaremos nos autocondenando. Por trás de tudo que é dilacerado ― um indivíduo, uma família, um bairro ― existe uma história a ser buscada e a ser entendida, isso pra ser superada. Drogas e armas, assim como o instinto frio de matar, não chegam pelo correio, nem são colhidos no quintal, tampouco surgem por um passe de mágica. Onde o crime venceu, o Estado e a família falharam.
A partir de 1º de janeiro de 2013 teremos um novo prefeito e quinze vereadores em Russas. A eles cabe dizer e realizar algo de verdade pelas crianças e jovens desse município. E o orçamento de cerca de 100 milhões de reais é bom pra isso. A nós cabe a inteligência e a cidadania de propor e de cobrar. Nos últimos vinte ou trinta anos o que nós fizemos nesse sentido? Veja o baixíssimo nível da última campanha eleitoral (coisa de gente grande, de homens sérios, adultos) e pense como é que um jovem de discernimento há de nos julgar.

Vamos pensar?

FONTE - O ARAIBU

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