domingo, 20 de janeiro de 2013

POR QUE A CIDADE CRESCE AVESSA ÀS PESSOAS?





Cresci em Diamantino, brincando em ruas e praças, em que eram poucos os carros e as motos, e as ruas, como espaço público, de trânsito e de encontro, efetivas eram, lugares onde o viver se fazia mais calmo e mais interessante.

Em Diamantino, já adulto, sempre estranhei a pouquíssima quantidade de lazer. Eu sempre achei a cidade menos cuidada, mais sucateada em sua infraestrutura, o que, obviamente, é uma cidade bastante antiga.

Ainda hoje esta cidade carece de mais praças e de outros locais de encontro, parques esportivos, ambientes agradáveis e inteligentes. As nossas praças, carecendo de reformas urgentemente.

Moro aqui no São Benedito, onde há uma praça, mas não há rede de esgoto no bairro. Nenhum vereador nem prefeito nem ninguém, nesses últimos anos, enxergou isso!

Que os gestores, enxergue essas necessidades todas e cumpra seu papel, reformando o que é preciso e construindo ambientes interessantes. Não para exibi-los a turistas, tampouco apenas para o uso besta de micaretas e outras acerebradas folias, mas, sim, e muito, para que as pessoas se encontrem, conversem, gastem um pouco de tempo ao ar livre com amigos e parentes.

A função maior do espaço público, nas sociedades capitalistas com predominância dos negócios e do automóvel, é desvirtuada exatamente do tal “público” (povo), havendo de existir apenas como extensão dos desejos da especulação imobiliária. E isso é uma merda (perdoem-me o palavreado).

O que chamam de “cidade inteligente” é apenas a burocracia de controle paranoico do espaço publico. No meu entender de pessoa simples, cidade inteligente é cidade verde, com praças e outros espaços onde as pessoas ― em vez de carros e negócios ― acontecem, se encontram, se fazem cidadãs em função disso mesmo e não de um desejo externo e estranho. A cidade não pode exilá-las para depois protegê-las com esquemas de segurança que, no final das contas, dão dinheiro a espertos que lucram com o caos urbano.


Cresci livre em ruas que hoje são asfaltadas, quentes, abarrotadas de carros e de motos e, portanto, impossíveis ao pedestre e ao ciclista. Cresci podendo andar a pé, e em paz, na companhia de pessoas que partilhavam a cultura de uma urbe onde o sentimento comunitário, apesar dos pesares, era o que de maior havia. Hoje, em relação à cidade, à sua concretude de prédios e afins, seja em Diamantino ou noutra qualquer dessas nossas, sinto-me desterrado, exilado pela larga inteligência burra de gestores que, tendo às costas os homens de negócio, refazem a urbe para que sirva aos seus mesquinhos propósitos, e só.

Eu quero a inteligência da simplicidade de volta. Eu quero praças mais humanas e menos cosméticas, lugares e relações onde a cultura do ganha-ganha não seja a matriz dos comportamentos Eu quero praças, parques, até bosques. E de verdade. Eu quero cidadania e paz pra todo mundo.

TEXTO ADAPTADO - O ARAIBU.


Um comentário:

  1. parabéns pela postagem...Diamantino tudo de bom..eu me orgulho em dizer que fiz parte desse tempo nas praças dessa cidade maravilhosa..!! bons tempo que deixaram apenas saudades ..!!

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