quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

QUANTO VALE UM(A) PROFESSOR(A) QUE SÓ PENSA EM DINHEIRO?

De modo geral, profissionais da educação não têm ainda, no Brasil, um status no qual a sociedade referencie valor, sucesso, prazer, realização. O que se pensa é: “Se a pessoa não puder ser mais nada, seja professor(a)”, ou seja, que se ocupe dessa tarefa “subalterna” e “sem-futuro”. Às profissões, numa sociedade como a nossa, estão, inevitavelmente, associadas as suas condições financeiras (“Quanto você ganha, rapaz?”), e professores, apesar do que de melhor puderam obter em seus ganhos e em suas condições de trabalho nos últimos tempos, não estão no topo da pirâmide.

Existe, pois, uma luta constante por melhorias salariais, o que facilmente vemos ao acessar a internet e o cotidiano direto. Eu próprio já vim aqui neste blog dar meu apoio às greves que os professores da rede pública estadual empreenderam em anos recentes. Mas hoje quero tocar em algo que considero também de suma importância em relação ao assunto: a redução do professor e do ensino a negócio. E o pior: com a extrema colaboração dos profissionais da área.
Passeando tantas vezes pelo facebook e em outros espaços, observando perfis de professores e as interações entre os mesmos, percebi que  quase 100% dos assuntos de tais pessoas se referem à questões salariais, como se isso fosse o único assunto da ampla área da EDUCAÇÃO. De modo geral, não vejo mais professores debaterem outra coisa senão isso, os royalties do petróleo e afins. É a financeirização da atividade, antes ocorrida na área da saúde (um aspirante a médico, antes de pensar como um humanista com amplo foco no social, pensa em ficar rico). Por esse comportamento, a dominar muito das conversas de professores, percebo uma redução do papel do ensino, da escola, dessa relação toda que é por demais importante, essencial mesmo.
Não sou contra qualquer profissional ganhar adequadamente e sei que a luta dos professores, nesse sentido, é justa. Mas será que nada mais há sobre qualquer outro tema que valha a atenção de um professor? Se há, cadê a fala que não se faz presente? Ao que parece, ao menos a mim, é que, por conta de frustrações a ambições não bem-sucedidas, a melhoria no ganho salarial serviria como recompensa/vingança contra um sistema de coisas que os professores odeiam por lhes maltratarem. Mas será que a financeirização da "utopia" (?) seria caminho?
Se meus questionamentos incomodam, agradeço a quem ainda deixar ferver em si um resquício de saudável rebeldia e amor pelo que faz, pois isso, da parte da pessoa, demonstra que ela está viva, que o dinheiro (a falta dele mesmo) não lhe matou. Por mais que um profissional da educação precise ser pago, como todos os outros profissionais, o que ele realiza, sendo bom, não tem preço. Mas se ele se preocupa mais com o carro do ano que com valores, é sinal de que nossa sociedade arde em franco processo de autodestruição.

FONTE - O ARAIBU

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