segunda-feira, 17 de junho de 2013

BRASIL: INDIGNADO, O POVO SAI ÀS RUAS EM FORTES MANIFESTAÇÕES



Giuliana Vallone, repórter da Folha de São Paulo,
atingida por bala de borracha disparada pela polícia.


É inegável que o Brasil passou por transformações interessantes depois dos governos do PT à frente do Palácio do Planalto. Diferentes índices apontam para isto. Mas o Éden a que a militância petista se refere só existe na cabeça dela, que, dominada pela total ausência de autocrítica, tornou-se, tal aos seus companheiros do PCdoB e do PSB, incapaz de enxergar o que é preciso. Essa moçada, hoje nem tão moça assim, está perdendo o trem da história por querer, como diz o mestre Milton Nascimento, em linda e eterna canção. Apaixonada pelo próprio umbigo, a ainda existente militância petista deixa de dar ótima contribuição ao momento político e social porque deixou de acreditar na força das massas e passou a acreditar na burocracia do poder, viciada que está em tentar defender o indefensável.

O Brasil passa, nesse momento, por convulsões e impasses e isso nos chama a um olhar mais agudo sobre a situação e qual o papel que devemos desempenhar. Os fatos estão aí e as reações a eles também. Parcela importante do povo brasileiro já se deu conta de que não basta progresso econômico (com direito a possuir moto, carro e iphone), pois também é preciso haver serviços públicos de qualidade, moralidade nas instituições do poder, busca de uma nova cultura política que diminua a corrupção, dentre outros pontos também importantes.

Em interessante texto sobre as manifestações que ocorrem na capital paulista contra o aumento da tarifa do transporte público, na verdade são manifestações contra muito mais coisas que simplesmente esta, Henrique Carneiro, no Blog da Convergência, afirma:


O desabafo agora não é só por 20 centavos, mas contra a polícia mais violenta do mundo, contra a maior taxa de homicídios do planeta, contra o lucro empresário mais selvagem, contra a predação da floresta e o assassinato dos indígenas para o agronegócio, contra a repressão aos jovens, negros, pobres, maconheiros, homossexuais, punks ou rastafáris. E acima de tudo, contra a ausência de espaço. Espaço físico, a própria cidade, sequestrada pela especulação imobiliária, pelas máfias do transporte precário, pela PM terrorista, e também o espaço político, sequestrado pela privatização do Estado, pela loteria dos cargos e dos partidos. O caso brasileiro se agrava pelo fato do PT ter sido o depositário das esperanças de uma geração e tê-las traído de uma forma sistemática em todos os campos possíveis. Na política financeira, deram metade do orçamento para os bancos. Na política agrícola, abriram as porteiras para o agronegócio derrubar a floresta, espalhar transgênicos, matar índios, inundar de veneno os rios e construir barragens ecocidas na Amazônia. Na política internacional, mandaram tropas ao Haiti, defenderam empreiteiras na África e abriram o país para multinacionais. Privatizaram o petróleo, os portos, aeroportos, e deram verbas públicas para o ensino privado. Aliaram-se com as oligarquias, todas elas! Sarney, Renan, Alves, Barbalho, e com a direita evangélica. Deram ministérios para bispos e distribuíram concessões de rádio e TV a rodo para os piores fascistas travestidos de pastores.” (Blog da Convergência)

Vejamos o desenrolar de todos esses acontecimentos, mas tomemos muito cuidado com as interpretações que tanto os governistas do PT e do PSDB quanto os jornalistas da grande imprensa dão aos fatos, pois que desses pólos não se há de colher vigor que alcance a natureza real disso tudo. E não confundamos as manifestações populares com intriga de vizinhos. O que há em questão é o destino de um país, de uma povo inteiro, nós. A propósito: há muita gente que não sabe que parte do povo brasileiro vem sofrendo bastante por conta das obras para a Copa Fifa 2014 e para as Olimpíadas Rio 2016. Talvez agora comecemos, de modo mais incisivo, a ter uma resposta dessas pessoas nessas manifestações todas. De minha parte, sei que spray de pimenta e gás lacrimogêneo não são cosméticos, tampouco representam as soluções que o POVO PAGADOR DE IMPOSTOS exige. Imagine bala de borracha!
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