quarta-feira, 12 de junho de 2013

JÁ PENSOU SE ESSA ONDA PEGA AQUI?





VEREADORES CONTRA A EDUCAÇÃO


Em nada me surpreende que a Câmara Municipal de Juazeiro do Norte-CE tenha aprovado a redução do salário dos professores daquele município [1]. O grande mau exemplo que todos os legislativos do país têm vem lá de Brasília, do Congresso Nacional, onde, com raras (raríssimas) exceções, mais de 500 indivíduos não estão nem aí para o que de fato seja prioridade do povo brasileiro. Ganham bem, enchem-se de regalias e perpetuam-se no poder como pragas indissolúveis [2].

Somos hoje uma democracia que vive agudamente uma crise pelo fato daqueles que nos representam cumprirem isso apenas formalmente. Nossos partidos são estruturas mais fisiológicas do que nunca e estão ligados até o osso aos interesses dos lobistas [3]. Atravessamos um novo ciclo desenvolvimentista desencadeado pela chegada do PT à Presidência, com Lula, em 2003, mas, simultaneamente, nos vemos enrolados com uma das mais pesadas cargas tributárias [4] e a ausência de reformas como a agrária, só para citar um exemplo.

Some-se a tudo o fato de que mesmo esquerdistas notórios de outrora, e hoje burocratas de carteirinha. consideram que é realmente possível desenvolver adequadamente um país sem investir maciçamente na educação, tendo esta sido, em muitas situações, reduzida a mais um ponto na luta entre os partidos que se dilaceram pelo poder, em especial o PT e o PSDB. Se nossos políticos, contando em grande parte com a ignorância (a inconsciência) da maioria do povo, vêem como vêem a educação e os profissionais que a fazem, casos como o da Câmara de Juazeiro só não se repetem mais porque existem a internet e a opinião pública.

Quem sabe os professores de cada município brasileiro não devessem questionar o quanto ganham os seus representantes no poder legislativo (municipal, estadual, federal) e criar uma movimentação mais consequente em torno desse tema? Vale lembrar que a Lei do Piso Salarial Nacional ainda não é cumprida por parte dos estados e dos municípios brasileiros [5], o que deveria levar-nos a pensar mais profundamente que tipo de sociedade queremos, já que estamos tentando concebê-la com educação precarizada.


Por fim, perguntas:


1. Na sua vida e na vida dos seus filhos os vereadores tem sido mais útil que os professores? No seu município, qual a diferença salarial entre os mesmos?


2. Você exige de uma vereador do mesmo jeito que exige de um professor?


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Notas:

4. A indignação com a carga tributária se dá exatamente não porque seja alta, embora seja, pois assim o é também em outros países, mas porque o povo não tem dos governos o retorno na forma de serviços públicos aperfeiçoados, nem o combate à corrupção, nem transparência, nem execução de obras realistas e necessárias à elevação do nível de vida em volume ideal. Para uma carga que atingiu 36,27% do PIB em 2012, nós brasileiros vivemos ainda em más condições;
 
 
 

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