quarta-feira, 5 de junho de 2013

O BRASIL DAS GASTANÇAS E DAS REGALIAS

 
 
“Em Sergipe, cada magistrado receberia 92 mil reais.
O Tribunal de Justiça do Estado chegou a repassar
quase 3 mil reais à família de um magistrado
que já morreu e que ainda iria receber
mais 45 mil reais.”

(Jornal da Globo, sobre decisão do CNJ de suspender
auxílio-alimentação retroativo a juízes de oito estados brasileiros)


Que limites existem para a gastança geral promovida pelo Estado? Esse assunto costuma vir à tona quando um grupo político, geralmente praticante do mesmo ato, deseja “queimar” outro, um seu concorrente, como até hoje se vê entre a gasta militância petista em relação ao PSDB.

Certo é que a gastança, a cultura do desperdício e da apropriação do público pelo privado vem de longe. Mas hoje sabemos melhor sobre como isso acontece e podemos até interferir de modo decisivo para corrigir não um grupo (ou um governo, ou um órgão) em si, mas uma cultura. Precisamos mudar a nossa cultura política, a nossa visão dos recursos públicos, destinando culpados a pagar e fazendo com que as verbas sejam investidas de maneira correta. A idéia não é corrupção zero, ou zero de erro, pois isso é ilusório, mas alcançar um patamar de otimização tal que os recursos gerenciados pelo Estado sejam aplicados onde há realmente carência.

Para tanto, acabar com as regalias é essencial. Penso nisso depois ver uma matéria tanto no Jornal da Globo quanto no Jornal Nacional sobre a suspensão de uma auxílio-alimentação para juízes de alguns estados do Brasil. Veja a reportagem: Decisão suspende auxílio-alimentação retroativo de juízes em 8 estados. No portal do CNJ, a matéria diz:

"Liminar concedida nesta segunda-feira (3/6) pelo conselheiro Bruno Dantas suspende o pagamento de auxílio-alimentação retroativo a magistrados de oito estados. Com a medida, as Cortes ficam impedidas de pagar R$ 101 milhões referentes ao benefício a juízes até que o CNJ julgue o mérito da questão."

É por essas e outras que até os políticos mais da base, os vereadores, hoje exigem vida de rei e ganhos que envergonham as sociedades que eles deveriam representar em vez de explorar e perseguir. A gastança é a cultura de um país que considera problema pagar bem a professores, mas que acha perfeitamente normal uma estrutura de 39 ministérios no governo federal*. Grande transformação teremos quando o Estado brasileiros funcionar de modo mais objetivo e justo, o que só conseguiremos ao custo de uma profunda revolução na política, na sociedade, enfim, em nós e nas nossas representações.


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